O que é Pass Through e por que ele é importante em salas limpas?
09/09/2026
Em uma indústria farmacêutica,
controlar a contaminação não significa cuidar apenas do ar dentro da sala. Tudo
o que entra e sai de um ambiente controlado também precisa fazer parte dessa
estratégia.
Imagine, por exemplo, uma sala
limpa na qual determinado material precisa ser transferido para uma área
adjacente. Se essa movimentação exigir a abertura direta entre os dois
ambientes, pode haver interferência nas condições estabelecidas em cada área.
É justamente nesse ponto que entra
o Pass Through.
O equipamento cria uma área
intermediária para a passagem de materiais entre ambientes, permitindo que essa
transferência aconteça de maneira mais controlada e contribuindo para preservar
condições como o nível de limpeza e o diferencial de pressão.
Na prática, portanto, o Pass
Through não é simplesmente uma “janela” entre duas salas. Ele faz parte da
estratégia utilizada para controlar a transferência de materiais entre áreas
com condições ambientais distintas.
Como funciona um Pass Through
na prática?
Pense em uma operação farmacêutica na qual um material precisa passar de
uma área para outra. O operador abre a porta do Pass Through do seu lado,
posiciona o material dentro do equipamento e fecha a porta. Somente depois
disso a porta localizada no outro ambiente poderá ser aberta, permitindo a
retirada do material.
Isso acontece porque o Pass
Through pode utilizar um sistema de intertravamento das portas. Quando uma está
aberta, a outra permanece fechada.
Esse detalhe é importante.
Se as duas portas fossem abertas
simultaneamente, seria criada uma comunicação direta entre os ambientes. O
intertravamento ajuda justamente a evitar essa interferência durante a
transferência. A importância desse princípio também aparece nas boas práticas
farmacêuticas.
A OMS recomenda controles como sistemas de intertravamento quando a abertura
simultânea das portas de um airlock puder representar risco de contaminação
cruzada. A FDA também destaca que airlocks e portas intertravadas ajudam no
controle do balanço de ar em instalações de processamento asséptico.
Um exemplo dentro de uma indústria farmacêutica
Vamos imaginar duas áreas de uma
instalação farmacêutica com diferentes condições de limpeza e pressão. Um lote
de materiais precisa ser transferido da Área A para a Área B.
Sem uma solução adequada para essa
passagem, a movimentação pode exigir maior interação entre os ambientes. Com o
Pass Through, o fluxo passa a acontecer desta forma:
Área A → abertura da primeira
porta → entrada do material → fechamento da porta → liberação da segunda porta
→ retirada do material na Área B.
Durante esse processo, as duas
portas não ficam abertas simultaneamente. Essa separação física ajuda a
preservar as condições estabelecidas entre as áreas e reduz a possibilidade de
interferência durante a transferência. É por isso que, em uma sala limpa, a
passagem de um material também precisa ser considerada parte do controle da
contaminação.
Aliás, a própria OMS destaca que a
transferência de equipamentos e materiais para dentro e para fora de salas
limpas e zonas críticas é uma das maiores fontes potenciais de contaminação e
recomenda controles específicos para essas movimentações.
Pass Through e diferencial de
pressão: qual é a relação?
Em instalações com ambientes
controlados, podem existir diferenciais de pressão entre áreas como parte da
estratégia de contenção, limpeza e proteção. A OMS inclui diferenciais de
pressão, airlocks e pass-through hatches entre os recursos utilizados para
esses objetivos.
Por isso, não basta pensar apenas
em “abrir uma porta e passar um material”.
É preciso considerar como essa
transferência interfere na relação existente entre os ambientes.
O Pass Through contribui para que
a movimentação seja realizada sem criar uma abertura simultânea direta entre as
duas áreas, auxiliando na manutenção das condições estabelecidas pelo projeto.
Onde o Pass Through pode ser utilizado?
Na indústria farmacêutica e em instalações com salas limpas, o Pass Through
pode fazer parte do fluxo de transferência de materiais, utensílios,
componentes ou outros itens entre áreas controladas, sempre de acordo com o
projeto e os procedimentos definidos para aquela instalação.
Em operações estéreis, esse
controle se torna ainda mais relevante. As boas práticas da OMS estabelecem que
a transferência de materiais, equipamentos e componentes para áreas de maior
classificação deve seguir processos controlados e que materiais destinados às
áreas Grau A ou B devem passar por procedimentos apropriados de transferência e
controle de contaminação.
Isso também deixa claro um ponto
importante: o Pass Through não substitui os procedimentos de limpeza,
desinfecção, esterilização ou validação exigidos pelo processo. Ele integra uma
estratégia maior de controle da contaminação.
O que considerar na escolha de
um Pass Through?
Nem toda aplicação exige
exatamente a mesma configuração, é necessário considerar quais ambientes serão
conectados, quais materiais serão transferidos, as condições de limpeza e
pressão existentes e quais recursos adicionais o processo necessita.
Nos modelos da Controlar,
por exemplo, a área interna de passagem pode ser construída em aço inoxidável
304 escovado. O equipamento pode contar com sistema de intertravamento, visores
de vidro temperado e, conforme a configuração, recursos como lâmpada germicida
UV, iluminação auxiliar, manômetro e sistema de ar integrado.
Também podem ser desenvolvidos
projetos especiais de acordo com a necessidade da aplicação. Isso significa que
a escolha não deve partir apenas das dimensões do equipamento. O Pass Through
precisa estar adequado à lógica de funcionamento e às necessidades do ambiente
onde será instalado.
Controle da contaminação também
acontece entre uma sala e outra
Quando pensamos em salas limpas, é
natural lembrar primeiro de filtros HEPA, sistemas HVAC, diferenciais de
pressão e classificação dos ambientes. Mas existe outra pergunta igualmente
importante:
Como os materiais entram e saem
dessas áreas sem comprometer as condições que foram cuidadosamente
estabelecidas?
O Pass Through é uma das soluções
utilizadas para responder a esse desafio. Ao criar uma barreira física e
controlar a abertura entre os ambientes, ele contribui para uma transferência
mais segura e controlada e passa a fazer parte de uma estratégia muito maior de
controle da contaminação do ar e do processo.
Precisa avaliar qual configuração de Pass Through é adequada para o seu processo? Fale com os especialistas da Controlar.